Um Novo Olhar Sobre o Universo Star Wars: Entre Páginas e Telas Esquecidas

Um Novo Olhar Sobre o Universo Star Wars: Entre Páginas e Telas Esquecidas

Quando Star Wars Outlaws chegou às prateleiras em 2024, o lançamento veio acompanhado daquele misto habitual de otimismo cauteloso e ceticismo que virou rotina para a franquia nos últimos tempos. Se você teve disposição para encarar o jogo, ignorando as arestas mal aparadas — muitas das quais já foram corrigidas via atualizações —, encontrou ali uma aventura sólida no universo da saga. No entanto, o desempenho comercial mal causou impacto e as vendas não reagiram muito, mesmo com reduções de preço e a entrada no Xbox Game Pass. O título acabou rotulado, talvez injustamente, como um fracasso para o grande público.

Mas não conte as probabilidades para essa história de azarão. Cerca de um ano e meio depois, o submundo do crime faz um retorno surpreendente na forma de literatura com Star Wars Outlaws: Low Red Moon, de Mike Chen. O livro acompanha os protagonistas Jaylen Vrax e ND-5 tentando fazer seus nomes nos confins nebulosos dos sindicatos do crime. Embora pareça à primeira vista um simples complemento, a obra vai muito além de um prequel básico, respondendo a muitas questões deixadas em aberto pelo jogo.

A Irmandade Que Nunca Existiu

Se a memória dos detalhes da trama de Outlaws falha — especialmente sobre como Sliro, irmão de Jaylen, se encaixa nisso tudo —, o livro serve como uma peça fundamental. Para contextualizar: no jogo, descobrimos que Sliro, um diretor do BSI que atua como chefe do crime no Zerek Besh, encarregou o droide ND-5 de exterminar sua própria família, os Barsha. Jaylen sobreviveu, reprogramou o droide e passou anos planejando sua vingança.

Mike Chen pegou uma linha de diálogo específica de uma cena tensa do jogo — onde Jaylen grita para o irmão: “Eu era o herdeiro! Mas nós éramos família” — e a usou como alicerce para construir uma narrativa emocionante. Low Red Moon mistura ação, humor e momentos de tensão que elevam o material original. A trama é dividida em três atos, começando com a juventude de Jaylen e Sliro.

Em seu livro anterior, Brotherhood (2022), Chen explorou a profundidade da relação entre Obi-Wan e Anakin. Aqui, ele volta a examinar laços fraternos, mas focando na irmandade que nunca se concretizou. Temos Jaylen, o herdeiro amado, e Sliro, o filho bastardo e esquecido, que recebia migalhas de atenção apenas quando o irmão conseguia visitá-lo escondido. O livro revela que Jaylen realmente tentou fazer o bem por Sliro, lutando contra o destino traçado por pais autoritários que viam o filho ilegítimo como um problema a ser escondido. É um clássico caso de prelúdio que nos faz imaginar “o que poderia ter sido”, transformando a dinâmica familiar em um drama político digno de reality show, ou como o autor sugere, um episódio de “Real Housewives of Gus Treta”.

Joias Escondidas na Galáxia

Se Low Red Moon é uma pérola literária que resgata a dignidade de um jogo subestimado, há outra produção recente que sofre do mesmo mal de falta de reconhecimento: a série Star Wars: Skeleton Crew. Enquanto produções como Andor e The Mandalorian receberam, com justiça, chuvas de elogios, Skeleton Crew passou batida, sem o barulho que merecia.

A franquia Star Wars tem oscilado bastante desde a aquisição pela Disney. Tivemos alguns dos melhores momentos da saga, mas também alguns dos piores. Skeleton Crew deveria ter sido um dos grandes sucessos do estúdio, galvanizando a base de fãs tal qual a primeira temporada de Mando. No entanto, é, sem dúvida, a série de TV mais subestimada do momento e funciona como um antídoto perfeito para os problemas da era moderna da saga.

Quando o público reclama que A Ascensão Skywalker apelou demais para a nostalgia, ou que Ahsoka focou excessivamente na construção de um universo cinematográfico em vez de contar uma história fechada, Skeleton Crew é exatamente o que eles dizem querer. Não se trata de expandir o universo ou fazer crossovers com O Livro de Boba Fett; é uma história de amadurecimento refrescante e contida.

Goonies no Espaço e o Futuro Incerto

A premissa é, essencialmente, Os Goonies no espaço. A trama começa nos subúrbios de uma galáxia muito, muito distante, onde um grupo desorganizado de crianças embarca involuntariamente em uma aventura intergaláctica, enfrentando piratas e usuários da Força. É um lembrete do que Star Wars deve ser em sua essência: escapismo para toda a família, sem a necessidade de participações especiais de personagens legado a cada cinco minutos.

A grande questão que fica é sobre a renovação. A Disney ainda não deu luz verde oficial para uma segunda temporada, embora o showrunner Jon Watts tenha indicado interesse. Em entrevistas, Watts foi diplomático, mas ressaltou que Jon Favreau e Dave Filoni — os arquitetos criativos por trás desse universo — tendem a focar mais na paixão pelas histórias do que puramente nos números de streaming. A política parece ser: “Se temos algo que queremos fazer, vamos fazer”.

Portanto, mesmo que a série tenha tido um desempenho abaixo do esperado inicialmente, uma continuação não está descartada. Porém, o estúdio não pode demorar. Sendo uma história de amadurecimento protagonizada por crianças, o elenco está crescendo em tempo real. Se aprendemos alguma coisa com os longos hiatos de Stranger Things, é que o tempo não espera por ninguém, nem mesmo em uma galáxia muito distante.