HomeJundiaíPacheco deixa o PV e vai para o PR. Ninguém entendeu o porquê

Pacheco deixa o PV e vai para o PR. Ninguém entendeu o porquê

Em menos de um ano, Antonio de Pádua Pacheco, atual vice-prefeito, troca de partido três vezes, um recorde

O médico Antonio de Pádua Pacheco, atual vice-prefeito de Jundiaí, fez um bonito discurso no ano passado quando se filiou ao Partido Verde (PV). Durou pouco o casamento – Pacheco está saindo do PV e entrando no Partido da República (PR). O hoje Dr. Pacheco, o Amigo do Peito, vai trocar também de slogan. Será Dr. Pacheco, o amigo de Valdemar.
Pacheco já ocupou cargo público na área de Saúde, e teve algumas idéias, como levar atendimento à Ponte de São João. Tentou ser deputado estadual pelo PPS e não conseguiu. Em 2012 elegeu-se vereador, no PSB, com apenas 1.724 votos, e ficou na Câmara até dezembro passado. Nesse meio tempo teve uma passagem por outro partido, a Rede de Marina Silva. Em novembro, foi eleito vice-prefeito, mas já havia mudado de partido – estava no PV.
Pretendendo ser candidato a deputado, tinha garantia de legenda no partido tanto a federal quanto a estadual, e por isso ninguém entendeu a debandada. Sua carta de desfiliação seria entregue nesta semana. Mas o novo partido de Pacheco não é lá essas coisas. Quem manda de fato no PR é uma figura conhecidíssima nos meios políticos e policiais do país, o ex-deputado Valdemar Costa Neto.
Valdemar era bom de voto – foi eleito deputado seis vezes. Seu partido, o PR, comandava o Ministério dos Transportes, onde não faltaram escândalos de corrupção, principalmente no DNIT (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes) e no Denatran. Estima-se que o desvio de dinheiro público nos oito anos e meio em que mandou no ministério seja de R$ 21 bilhões. As coisas iam bem, até que Valdemar foi condenado a sete anos e dez meses de cadeia no escândalo do Mensalão. Isso em 2012.
Além de cadeia, precisou pagar multa de 1,6 milhão de reais. Valdemar cumpriu parte da pena, e em 2014 ganhou uma tornozeleira eletrônica do Supremo Tribunal Federal (STF) e foi cumprir o resto da pena em casa. Em 2015 ganhou indulto do STF e no ano seguinte foi perdoado. E continuou mandando.
Em 2015 Valdemar apareceu de novo em outro escândalo, o Petrolão, hoje investigado pela Operação Lava Jato. Ele é denunciado por corrupção na construção da Ferrovia Norte-Sul – o dinheiro teria vindo da Odebrecht. O dono de outra construtora, a UTC, também lembrou de Valdemar e seus achaques.
Valdemar tem outro problema – uma ex-mulher, a socialite Maria Christina Mendes Caldeira. Eles se casaram em 2004 e se separaram três anos depois. A ex-mulher anotou tudo: presentes, propinas, gastos. E como uma típica ex, irada e mordida, entregou tudo para a Polícia Federal.
Tudo não, quase tudo. Documentos que provam que o ex-presidente Lula, o ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha e o próprio Valdemar receberam até diamantes, que hoje estariam guardados em cofres uruguaios e portugueses, foram entregues ao FBI, que também investiga as maracutaias da Odebrecht em terras americanas. Pelo jeito Pacheco arrumou um bom amigo. E amigo é coisa pra se guardar no lado esquerdo do peito…

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