HomeJundiaíHistória sem fim: balanço coloca em dúvida o HSVP

História sem fim: balanço coloca em dúvida o HSVP

Documento foi divulgado pela Imprensa Oficial no final de abril e não se sabe se hospital consegue continuar funcionando

Que a situação financeira do Hospital São Vicente de Paulo, de Jundiaí, não é das melhores já era fato público. Não se sabia era o tamanho do rombo. O resultado de uma auditoria que analisou o balanço financeiro de dezembro de 2016, publicado na Imprensa Oficial no final de abril, é de arrepiar os cabelos. A conclusão dos auditores: “as dívidas atuais indicam a existência de incerteza relevante que pode levantar dúvida significativa quanto à capacidade de continuidade operacional do HSV. Nossa opinião não está ressalvada (acautelada) em relação a este assunto”.
Traduzindo: o pessoal da CKS Auditores Independentes, responsável pelo trabalho, está dizendo que do jeito que está o hospital não vai longe. O São Vicente é administrado pelos Vicentinos e presta serviços à Prefeitura. Em janeiro, quando da mudança de prefeito, o hospital devia R$ 105 milhões a curto prazo.
Esse dinheiro corresponde a um empréstimo de R$ 34 milhões na Caixa Econômica Federal e às ações trabalhistas que o hospital já perdeu e precisa pagar, sob risco de penhoras e outras medidas mais drásticas da Justiça do Trabalho.
Na próxima semana, deverá ter início outra auditoria, contratada pela Prefeitura. Essa auditoria deverá ir a fundo na questão financeira do hospital. Pelo que se viu até agora tem-se a impressão que houve irresponsabilidade e que isso chegou a afetar o atendimento de gente de Jundiaí e toda a região.
Para resolver a crise, no começo do ano foi instalado um gabinete de gestão dessa crise. Esse gabinete recebeu a incumbência de administrar o hospital e garantir o atendimento à população (há um convênio entre a Prefeitura e o hospital de R$ 12 milhões por mês).
“O que tem nos ajudado é um convênio provisório com o Governo do Estado, explica o responsável pelas Finanças da Prefeitura. Conseguimos R$ 2 milhões por mês durante seis meses. Isso ajuda o hospital funcionar atualmente”.
O problema não era só a dívida – em outros setores da Saúde havia fornecedores de materiais e medicamentos sem receber, e sem dinheiro, nada de entregar. Mas é a auditoria feita no hospital que mais preocupa. Segundo os auditores, “o São Vicente continua apurando sucessivos déficits, falta de capital de giro circulante e passivo a descoberto no valor de R$ 261.614 mil em 31 de dezembro de 2016, decorrentes de obrigações fiscais, elevado endividamento, gastos com pessoal e encargos financeiros, que ora referem-se as perdas operacionais mais representativas”.
Com tantos problemas, o gabinete de gestão da crise tenta resolver as dívidas mais urgentes – 11 milhões de reais entre impostos e dívidas trabalhistas e outros 10 milhões com fornecedores. Algumas coisas já foram feitas para melhorar – uma parceria com o Hospital Regional permite a realização das chamadas cirurgias eletivas (aquelas sem urgência) no HR e ainda leitos de UTI para desafogar o São Vicente.
Também foi reestruturado o Núcleo Interno de Regulação (NIR), o que deve melhorar a média de permanência de um paciente no HSVP. Ainda é pouco, e vai exigir trabalho. Consertar o que já andava mais ou menos, e que foi esculhambado nos últimos quatro anos, não é tarefa para qualquer um.
Incor servirá como exemplo

O Instituto do Coração do Hospital das Clínicas de São Paulo também já amargou dificuldades e conseguiu superá-las, principalmente as financeiras, reduzindo despesas e aumentando a receita. No começo do mês, representantes da Prefeitura estiveram no Incor buscando alguma parceria e soluções para aliviar a crise no HSVP.
José Antonio de Lima, presidente da Fundação Zerbini, explicou aos jundiaienses a importância de reduzir despesas, renegociar dívidas, buscar recursos via emendas parlamentares para investir em equipamentos e em tecnologia para melhorar o serviço e buscar fontes alternativas na iniciativa privada.
José Antonio também ressaltou a importância de ampliar o atendimento prestado, como fez o Incor, via empresas de saúde complementar (convênios e seguros médicos), uma vez que apenas o repasse do SUS não cobre os gastos de um hospital.
José Antonio Parimoschi, que participou desse encontro, lembra que é a mesma situação do HSVP, que, desde 2014 está custando bem mais do que ele recebe no convênio com a Prefeitura e hoje está em situação de quase insolvência. A Fundação Zerbini é responsável pela administração do Incor.

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