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Falta bom senso, falta educação

Desde que entrou em vigor uma lei estadual proibindo a venda de bebidas alcoólicas a menores de idade, muita encrenca aconteceu. A falta de bom senso e de educação de caixas de supermercado e atendentes de lojas de conveniência virou motivo de discussão e de única conclusão – a lei é uma piada.
Primeiro, que seu texto já contém erros de Português. Diz a lei que é “proibida a venda, a entrega, o consumo…”, quando o correto seria “são proibidos”. Os cartazes sobre a lei são o melhor atestado do analfabetismo de quem a escreveu. Segundo, que um decreto da Presidência da República de 2009 (6932), manda que “haja presunção de boa fé” e ” racionalização de métodos e procedimentos de controle”.
Chegamos ao ponto. É absolutamente necessária, natural e aceitável a exigência de comprovação de idade em caso de desconfiança. Se alguém com aparência de moleque quiser comprar bebida alcoólica precisa provar que é maior de idade.
Mas, e os casos mais que óbvios? Não há bom senso. Idosos, com cabelos brancos, arqueados pelo peso da idade, são submetidos ao vexame. Tratados como fossem moleques irresponsáveis. Só passam pelo caixa se apresentarem documentos com fotos.
A maioria dos supermercados e lojas de conveniência leva em conta o bom senso. Mas o supermercado Russi parece ser o novo integrante da Liga da Justiça. E nem em suas lojas prevalece a unanimidade. No Russi da Ponte São João, por exemplo, não passa sem documento com foto. Velhinhos são humilhados por pirralhas nos caixas, travestidas de autoridades.
Em outras lojas da rede, há outros procedimentos. Na da Vila Arens, por exemplo, os caixas anotam o número da identidade caso o consumidor não esteja portando documentos e que seja mais que evidente sua maioridade. Na loja da Agapeama, nem isso estão fazendo quando o sujeito é maior de idade pela aparência latente.
Segundo o atendimento da empresa, é uma “lei interna do Russi”. Outra incoerência. Nenhuma norma interna pode superar um decreto federal. Seria o mesmo que uma empresa determinar que matar alguém em seu interior não é crime.
E, acima de tudo, o governo não tem interesse de resolver nada. Se quisesse coibir o consumo de álcool, ou de tabaco, era só proibir sua fabricação. Mas os impostos que a indústria entrega ao governo (e que depois são roubados nos mensalões da vida) são mais atraentes e interessantes. Mas não é o caso – aqui se discute bom senso.
E já que o Russi é tão cuidadoso com os idosos, melhor tomar providências mais simples. A primeira seria fiscalizar seus estacionamentos, onde as vagas para idosos, gestantes e deficientes são solenemente desrespeitadas.
A segunda, é se adequar à lei de verdade. Colocar um caixa só para idosos não é o suficiente. A lei determina que o atendimento seja prioritário. Segundo o dicionário, prioritário é que tem prioridade, mais importante, preferencial. Ou seja, idosos, gestantes e deficientes precisam ser atendidos primeiro. Justa ou injusta, é lei federal. Um caixa para eles não á prioridade, é remediar uma situação, parecer, fazer de conta que cumpre a lei.
E por fim a questão do estacionamento: uma lei estadual permite que seja chamada a Polícia Militar ou agentes de trânsito para multar quem estaciona em vagas de idosos, gestantes e deficientes sem o cartão de identificação. O que seria um belo cartão de visitas de um supermercado – seus clientes sendo multados.

Anselmo Brombal

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